15 de abril de 2012

Luz

Enxerga aquela luz, amigo?
Possui um brilho escuro.
Percebe-se perdido?
Alcance o mais alto muro.

Talvez encontre o paraíso,
Mas poderá se confundir em um labirinto.
Não consegue um sorriso?
Tente esboçar o mais suscinto.

Não sei o que me ocorre,
Quando busco o além,
Pois parece que morre
O meu amado alguém.

Então não enxergo,
Mas imagino o escuro brilho:
Meio atônito, meio certo
Sigo-o feito trem no trilho.

Outrem, pois, me desperta
E me espeta.
Meus olhos ardem sob a claridade,
Claridade de realidade.

E eu percebo o além aqui,
Onde mesmo eu caí.
Onde mesmo eu me levantei.
Sei lá se me recuperei!

Mas há luminosidade bonita
Fazendo festa!
Minha alegria é acometida
Dos pés à testa.

Enxerga aquela luz, amigo?
Ela não é mais sombria.
Vem, que eu te motivo
A mudar essa paralisia
[de ser infeliz].
Mas não sei como o fiz.

Transformando a matéria sentimental

Condensem, por mim, a dor diária
De ficar estagnada,
Como se não fosse condição primária
A meta outrora planejada.

Solidifiquem o cansaço
De sentir-se infeliz
Perante a ausência de compasso
Entre o livro e o aprendiz.

Vaporizem a felicidade
Tão rara em dias de luta,
Nos quais buscam um doce de verdade
Perdido, quiçá, no silêncio da amargura.

E tornem matéria meus sentimentos!
Mas que ninguém os torture,
Feito os ventos:
São sentidos sem alguém que os segure.
Não os capture!
Porém, hão de poder
Mudar a direção.

Sob comando de uma força maior.